
Apaixone-se por mim.
Não um amor de mesa posta,
talheres de prata,
toalha de renda,
não um amor de terça-feira,
água morna,
gaveta arrumada.
Apaixone-se por mim no meio de uma tarde de chuva,
rua alagada,
rosas na mão,
um amor faminto,
urgente,
latejante,
um amor de carne,
sangue
e vazantes,
um amor inadiável de perder o rumo o prumo
e o norte,
me ame um amor de morte.
Não me dê um amor adestrado que senta,
deita,
rola
e finge de morto,
que late,
lambe
e dorme.
Apaixone-se felino,
sorrateiramente
e assim que eu me distrair,
me crave os dentes,
as unhas,
role comigo
e perca-se em mim
e seja tão grande a ponto de me deixar perder.
Ame minhas curvas,
minha carne,
e se espalhe por meus versos,
meus reversos,
meus entalhes.
Deixe eu me sentir amada,
desejada,
mas preciso que me ensines,
que me fales,
que me cales,
amém.
Um comentário:
Apaixonar-se por mim,às vezes pode ser um pouco perigoso...
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